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delírios de sábado a noite
O quarto do poeta já não gera mais poemas A cama, outrora flamejante, agora é apenas uma câmara fria Preso a ela seu corpo se encontra Mas sua mente, ao longe, delira e delira E destes delírios nascem versos Vezes ricos, vezes pobres De toda forma rasgam-se os verbos Só assim ele sobrevive a morte… — read more
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a dor se vai, os detalhes ficam
Por mais um dia o sol nascerá antes do previsto, só não vai doer mais. Na cama, novamente o lençol azul estará estendido, só não vai doer mais. No café da tarde, outra saborosa torta de frango será o lanche servido, só não vai doer mais. Em mim, aquele musical vai continuar provocando risos, só… — read more
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24 horas (para lulu e mais uma de suas aventuras)
Num dia singular, de forma inesperada Sequer notei que o ponteiro do relógio girava Ao meu lado estava Um homem de um lugar distante Que viu em mim coisas nunca vistas Narrou detalhes para além do meu semblante Por um instante, me fez sentir algo mágico Transformou em verdade a tal da paixão ideal De… — read more
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amor visceral
Do amor, não quero tira-gostos Eu quero o prato principal Não quero pisar em qualquer terra seca Eu quero é afundar no lamaçal Se me ofereces um copo americano de pinga Saibas que aceito apenas a fermentação de um canavial Entendas, não quero saber de amor epidérmico Eu quero apenas o visceral! — read more
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quando faltam palavras
No meio do nada A internet falha E me faltam palavras Para materializar as cargas da alma Me restam um cérebro e uma caneta Um vocabulário de quase três décadas inteiras Ainda assim, não se fecham os versos Há um vazio no lugar da maçaneta — read more
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o que vem depois do temporal?
Palavras, métricas, rimas, festas Nada supre a sua ausência que ainda se manifesta E a saudade dentro de mim prolifera Não se dispersa, nem cessa E não obstante, me arremessa com pressa Sem sequer que eu peça Para as tardes ouvindo MPB se curtindo a beça — read more
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eu sou o agora
A travessia é lenta Mas o destino sempre chega A prisão é somente mental A vida segue normal Solte as amarras, suba a âncora Grite ao vento: eu sou o agora! — read more
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lacunas
Que o nada hoje habitante em mim Possa, ao menos, tornar-se palavras Para que os não-sentimentos não sejam em vão Enquanto prossigo averso a vida passante na lateral da estrada — read more
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figura de linguagem
De todos os adjetivos a mim já atribuídos Metafórico, talvez, seja meu favorito Gosto de me imaginar percorrendo as conotações do que eu digo Me ver passar por todos os canais para além do pé do ouvido — read more
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campo elétrico da dor
A cura se encontra no extremo oposto da fonte de dor Reside em um local sereno lá no infinito Mas por mais distante que pareça em si O infinito é logo ali — read more